Uma grande homenagem ao músico Mário Feres foi prestada por seis corais nesta quarta-feira, às 20h, no Teatro Municipal de Ribeirão Preto. O projeto “Cultura em Canto”, reuniu profissionais de diversas áreas, com a participação dos corais “Casa do Contabilista”, “Vivace”, “BSGI”,” Lótus e Núcleo de Desenvolvimento para Orquestra”, “Coral da USP”, “Coral da Escola de Música Tomsete”, “Grupo Madrigal Revivis” e Coral Voz Ativa, da Assojuris. Ao final das apresentações, todos os corais cantaram numa só voz a música “Wave”, de Tom Jobim, em homenagem ao grande fã de Tom Jobim, Mario Feres.
Composição : Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes
A insensatez que você fez Coração mais sem cuidado Fez chorar de dor O seu amor Um amor tão delicado Ah, porque você foi fraco assim Assim tão desalmado Ah, meu coração que nunca amou Não merece ser amado Vai meu coração ouve a razão Usa só sinceridade Quem semeia vento, diz a razão Colhe sempre tempestade Vai, meu coração pede perdão Perdão apaixonado Vai porque quem não Pede perdão Não é nunca perdoado
Mario Feres e João Ferraz gravaram o disco Tudo Céu e Mar, um resgate das composições do pianista João Viviane. O disco também conta com várias composições de Mario Feres e João Ferraz, como Foi Saudade, a primeira faixa do disco Tudo Céu e Mar lançado em 2007.
por José Márcio Castro Alves Quando a Simone Guimarães pediu que eu a ajudasse a produzir o seu primeiro disco, Piracema – 1996, imediatamente chamei o Mario Feres que acabou cuidando da produção musical, tocando em várias faixas e também gravando o seu baião, Lambari.
Mario e Simone trabalharam juntos em 2004 na produção da trilha sonora Caminhos do Ouro, um especial da EPTV que retrata a trilha seguida pelo bandeirante Anhanguera.
Em 2008, no SESC de Ribeirão Preto, Mario Feres, Vânia Lucas e o violeiro Ivan Vilela apresentam o show Triverso. Uma das canções é o Baião Barroco, de Juarez Moreira e Simone Guimarães, gravado em vídeo por José Márcio Castro Alves.
Em 22 de junho de 2011, Vania Lucas e os amigos Andre Mehmari, Ricardo Matsuda e Ivan Vilela se encontram para homenagear o Mario, interpretando o Baião Barroco.
por José Márcio Castro Alves Ricardo Matsuda e Mario Feres nasceram em Marilia. Amigos desde a infãncia, o Mario na bateria e o Ricardo na Guitarra, mocidade tudo azul. Fizeram inúmeros shows e discos, sempre amigos, ternos. Vania Lucas me enviou um e-mail com uma música do Ricardo Matsuda.
--- Zé. Acabei de ouvir essa música que o Matsuda fez para o Mário. Você coloca no blog também?
Até já - Carta pro Mário
Ricardo Matsuda
Espanto, ao vê-lo partir.
Outrora nos ensinava a sorrir
para coisas como a dor e a paixão,
música, uma canção.
Coragem de se desprender
das coisas que fazem homem sofrer.
Agora, retornou ao Céu, assim,
Feito anjo, Querubim.
Voa livre e leve assim,
Voa feito Passarim.
Vânia, Lu e Tomazim.
Todos nós te amamos.
Antes, bem agora
e não tem fim.
Histórias tantas temos pra lembrar.
Memórias vão revê-lo em seu cantar.
Aquilo que plantaste germinou.
Agradeço ao Teu Senhor.
Amigos, tantos, tantos conquistou,
brincando ou falando sério, amou.
Caminho por onde passou sorriu
no seu samba, Mãe Gentil.
Em 22 de junho de 2011 é apresentado o show "Um abraço pro Mario Feres", onde Vanis Lucas, Andre Mehmari, Ricardo Matsuda e Ivan Vilela homenageiam o amigo. Ricardo apresentou "Até já", uma carta ao Mario.
Conheci o Mario através do meu parceiro Paulo Estevão, o primeiro guitarrista do Língua de Trapo. Eu estava começando a gravar meu primeiro disco solo, 1990. Tinha um projeto de retomar o trabalho com Paulo, nos falamos ao telefone e ele disse que viria para São Paulo com um amigo de Marília. Era o Mario. Perguntei que instrumento o tal amigo tocava e Paulo falou: --- Todos - e bem!
Ele chegou tímido, com ares de fã, conhecia minhas músicas, cantou algumas. Logo estabelecemos amizade e a relação mudou. Nada de fã, vamos ser amigos - pedi.
O projeto do disco a três não vingou porque Paulo sofreu um acidente e cortou gravemente a mão. Havíamos gravado três músicas, eu no violão, Mario no baixo e Paulo na guitarra. Prossegui o disco sozinho totalmente despojado, violão e voz. A única música que tinha instrumento elétrico foi "Vovô na janela": Mario tocando baixo.
Nessas idas e vindas para São Paulo, fizemos duas parcerias, letras minhas, músicas do Mario. Uma delas chama-se "Enciclopédia", a outra não me lembro o nome. Estão gravadas numa fita K-7 (faz tempo, né?). Quando nos reencontramos, muitos anos depois, num sarau na Casa das Rosas, falei pro Mario que tínhamos essas músicas. Ele não lembrava e fiquei de levar a fita para ele recordar. Tinha uma harmonia meio torta. Depois do sarau fomos para uma pizzaria e ele me pediu para mandar uma letra.
Escrevi "O bom romance". Mario fez uma melodia maravilhosa. Lembro que comentei que precisamos juntar nós dois para virar meio Jobim. A música é realmente um primor e foi incluída no show que ele e Vânia faziam. Ouvi duas vezes, no Sesc Ribeirão Preto e no Sesc Ipiranga. Uma grande alegria.
Mario Feres e Guca Domenico participaram do Sarau da Chama Poética, no Museu da Língua Portuguesa, em dezembro de 2008, em homenagem a Noel Rosa.
Nossa participação foi distinta. Eu de violão e voz, Mario e Vânia. No final, cantamos juntos "As pastorinhas", de Noel e Braguinha.
Nossa última parceria chama-se "Perfume de pensamento".
--- Você está escrevendo em alto nível, comentou o Mario ao receber a letra. --- Estou me contorcendo para musicar. O resultado foi, mais uma vez, maravilhoso.
Muito zeloso, Mario criou uma melodia incrível, mais uma vez Jobiniana, e achou um caminho melódico que não encaixou totalmente a letra. Ligou, do Rio, pedindo autorização para acrescentar algumas palavras, com respeito e sem querer ferir minha vaidade. Disse que ele tinha toda liberdade e não se intimidasse. Foram três ou quatro palavras, nada que alterasse abruptamente. Suave, como se diz. Ficou indescritivelmente linda.
No meio de dezembro de 2010 estive no Rio e fui visitá-lo. Temperatura alta. Mario me recebeu sem camisa, ventilador a toda.
--- Parceiro, fiz uma gravaçãozinha. Vê se tá bom - ele sugeriu.
Estava, claro.
Só havia um senão e era culpa minha. No refrão da música, escrevi "sua dor é casa íntima/nada de visitinha".
Aquele calor carioca, minha língua de trapo não aguentou e mandei:
---É, Mario. Maior suador... Brinquei com o cacófato que minha letra produziu.
--- Nossa! É mesmo... Mario se tocou.
A partir dali não dava mais para ouvir sem lembrar disso.
Eu refiz a letra, troquei o você por tu e ele ficou de arrumar, gravar "tua dor".
Fizemos uma grife, só músicas lindas. Culpa do Mario, meu parceirinho querido, aquele menino que veio de Marília para me conhecer há muito tempo atrás.
Perfume de pensamento
Conheci o Mario através do meu parceiro Paulo Estevão, o primeiro guitarrista do Língua de Trapo. Eu estava começando a gravar meu primeiro disco solo, 1990. Tinha um projeto de retomar o trabalho com Paulo, nos falamos ao telefone e ele disse que viria para São Paulo com um amigo de Marília. Era o Mario. Perguntei que instrumento o tal amigo tocava e Paulo falou: --- Todos - e bem! Ele chegou tímido, com ares de fã, conhecia minhas músicas, cantou algumas. Logo estabelecemos amizade e a relação mudou. Nada de fã, vamos ser amigos - pedi. O projeto do disco a três não vingou porque Paulo sofreu um acidente e cortou gravemente a mão. Havíamos gravado três músicas, eu no violão, Mario no baixo e Paulo na guitarra. Prossegui o disco sozinho totalmente despojado, violão e voz. A única música que tinha instrumento elétrico foi "Vovô na janela": Mario tocando baixo. Nessas idas e vindas para São Paulo, fizemos duas parcerias, letras minhas, músicas do Mario. Uma delas chama-se "Enciclopédia", a outra não me lembro o nome. Estão gravadas numa fita K-7 (faz tempo, né?). Quando nos reencontramos, muitos anos depois, num sarau na Casa das Rosas, falei pro Mario que tínhamos essas músicas. Ele não lembrava e fiquei de levar a fita para ele recordar. Tinha uma harmonia meio torta. Depois do sarau fomos para uma pizzaria e ele me pediu para mandar uma letra. Escrevi "O bom romance". Mario fez uma melodia maravilhosa. Lembro que comentei que precisamos juntar nós dois para virar meio Jobim. A música é realmente um primor e foi incluída no show que ele e Vânia faziam. Ouvi duas vezes, no Sesc Ribeirão Preto e no Sesc Ipiranga. Uma grande alegria.
Também participamos juntos do Sarau da Chama Poética, no Museu da Língua Portuguesa, em dezembro de 2008, em homenagem a Noel Rosa. Nossa participação foi distinta. Eu de violão e voz, Mario e Vânia. No final, cantamos juntos "As pastorinhas", de Noel e Braguinha. Nossa última parceria chama-se "Perfume de pensamento". --- Você está escrevendo em alto nível, comentou o Mario ao receber a letra. --- Estou me contorcendo para musicar. O resultado foi, mais uma vez, maravilhoso. Muito zeloso, Mario criou uma melodia incrível, mais uma vez Jobiniana, e achou um caminho melódico que não encaixou totalmente a letra. Ligou, do Rio, pedindo autorização para acrescentar algumas palavras, com respeito e sem querer ferir minha vaidade. Disse que ele tinha toda liberdade e não se intimidasse. Foram três ou quatro palavras, nada que alterasse abruptamente. Suave, como se diz. Ficou indescritivelmente linda. No meio de dezembro de 2010 estive no Rio e fui visitá-lo. Temperatura alta. Mario me recebeu sem camisa, ventilador a toda. --- Parceiro, fiz uma gravaçãozinha. Vê se tá bom - ele sugeriu. Estava, claro. Só havia um senão e era culpa minha. No refrão da música, escrevi "sua dor é casa íntima/nada de visitinha". Aquele calor carioca, minha língua de trapo não aguentou e mandei: ---É, Mario. Maior suador... Brinquei com o cacófato que minha letra produziu. --- Nossa! É mesmo... Mario se tocou. A partir dali não dava mais para ouvir sem lembrar disso. Eu refiz a letra, troquei o você por tu e ele ficou de arrumar, gravar "tua dor". Fizemos uma grife, só músicas lindas. Culpa do Mario, meu parceirinho querido, aquele menino que veio de Marília para me conhecer há muito tempo atrás.