Perdemos Mário Feres, por Rosana Zaidan
Amigos a gente conta nos dedos da mão, dizia meu pai. Mário Féres, um dos maiores pianistas que o Brasil já teve, entrava nessa conta. Talentoso, alegre, entusiasmado e disponível, ele era sempre o mais sorridente e o mais amoroso de qualquer grupo. Paulo Jobim, o filho de Tom, o conheceu aqui em Ribeirao Preto, em 1994 e não o deixou mais. Viria ainda uma vez a Ribeirão Preto para fazer novo show com Mário e a caríssima mulher dele, também minha irmã, a cantora Vânia Lucas, em maio. Fizeram vários aqui e em outras cidades. Paulo Jobim convidou Mário para escrever algumas partituras de Tom no songbook definitivo que fez com o resgate de toda a obra do pai. Por conta desse relacionamento, Mário também fez piano para o Quarteto Jobim, substituindo Daniel Jobim, o neto de Tom, algumas vezes. Com o violoncelista e maestro Jacques Morelembaum, foi a Hannover e muitas outras cidades europeias, onde tocou nos melhores palcos a obra jobiniana. Dele dizia outro amigo, José Márcio Castro Alves, que o acompanhou diariamente em sua incrível e inacreditável despedida de 51 dias num leito de hospital: “é o único Tom Jobim possível”. Mário também cantava. Contava piadas. Participava de espetáculos no Rio e em São Paulo. Era craque no piano, mas podia tocar qualquer instrumento. E que produtor musical. E que amigo. Que aglutinador de artistas de todas as correntes. Arranjou e compôs músicas para vários especiais na EPTV. Fez vários discos. João Viviani, outro grande pianista de Ribeirão Preto, fez com ele seu último disco. Mário partiu agora há pouco. Nos deixou mais pobres, mais carentes de alegria. À Vânia, sua mulher, Luísa e Thomas, seus filhos, fica o legado de sua arte e de sua generosidade incomparável. A nós, a lembrança de um ser iluminado, um doce menino, um delicioso amigo, um fantástico artista.
(30/4/1967- 01/04/2011)
PERDEMOS MÁRIO FÉRES
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Jose Marcio Castro Alves
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Diário de Marília entrevista Feis Feres - continuação - final
Feis – Tive um desânimo em virtude do avanço tecnológico, quando ao apertar um simples botão a pessoa tirava um arranjo. Ao preparar uma música (acordes e harmonia) a gente levava 10 dias para se chegar à perfeição. Mas, durante todos esses anos, sempre acompanhei a "onda". Quanto mais versátil o repertório, melhor. Por exemplo, no auge das discotecas, nos anos 70. Você tinha que apresentar uma seleção dessas músicas, porque elas estavam na boca do povo. Por isso que o Transa Som era tão solicitado. E hoje, modéstia à parte, seria um dos melhores conjuntos do Brasil, porque capacidade nunca faltou aos seus integrantes.
Diário – A música lhe deu muito dinheiro?
Feis – Não, porque vivi a música como uma arte e toda arte requer apenas muito amor e dedicação. Ganhar dinheiro no interior sempre foi mais difícil. Hoje você vê algumas bandas insignificantes fazendo sucesso com cachês milionários. O poder econômico as impulsiona através da mídia e por trás de tudo isso há muitos interesses. É duro lembrar de tantas orquestras maravilhosas que não tiveram o apoio necessário e acabaram na amargura. Consegui estudar todos meus filhos porque nunca parei de trabalhar. Permita-me aqui lembrar o político grego Péricles: "O segredo da felicidade está na liberdade; o segredo da liberdade está na coragem".
Diário – O senhor quer deixar alguma mensagem nessa entrevista?
Feis – Gostaria de aproveitar esse espaço e expressar aos meus filhos sobre a sua importância em minha vida. O Júnior, baterista, tecladista e um ótimo cantor. Gravou um CD em cinco idiomas e foi um excelente dentista. Ainda estou atordoado com a sua partida prematura, mas tenho certeza que ele está ao lado de Deus nos abençoando. O Omar, que tirava uma guitarra como ninguém, tocava também contrabaixo, dava show no cavaquinho e era muito animador. Hoje é um médico bem conceituado em Ribeirão Preto O Mário, cirurgião-dentista em Londrina, com muita dedicação à música, pianista, guitarrista, baterista e que já se apresentou diversas vezes no exterior. E a Ana Maria, advogada e empresária (Ótica Féres) que também cantou em muitos bailes do Transa Som.
Diário – Mais alguma coisa?
Feis – Marília, cidade do meu coração. Cidade que me deu cultura, situação financeira e muito amor. Marília, eu te amo muito!
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Matéria do Diário de Marília (28 de setembro de 2008)
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Jose Marcio Castro Alves
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Diário de Marília entrevista Feis Feres - continuação 3
Feis – Num reveillon em São Carlos. Somente quando chegamos na cidade me informaram que das 23h às 2h iríamos tocar apenas músicas suaves para uma platéia seleta. Depois é que as portas seriam abertas para o público. Aí me deu aquela tremedeira, por causa de tamanha responsabilidade: o cachê era generoso e os músicos inexperientes. Transmiti otimismo a todos, escondendo a minha preocupação. Não deu nem 20 minutos de som e todos os casais largaram a ceia e começaram a dançar. Aplausos e mais aplausos. Depois das duas da manhã, então, com toda aquela moçada animada lotando o clube, o baile "pegou fogo". Foi memorável. O êxito dessa apresentação espalhou-se e posteriormente ficou difícil achar uma data na agenda do conjunto.
Diário – Então o grupo foi se modernizando?
Feis – Sim, até que consegui comprar um caminhão, pois usávamos cerca de 25 caixas de som, mais de 20 microfones, indumentárias e outros acessórios. Certa vez um empresário me procurou e disse que na Hípica de Campinas nunca aparecera uma banda que agradasse o associado no carnaval. E lá fomos nós. Levei cinco "transetes" (bailarinas) e fomos ovacionados. Sete horas da manhã e não havia como deixar o palco.
Diário – Cite mais alguns eventos marcantes.
Feis – Foram muitos, principalmente quando me apresentei com meus filhos no famoso programa "Almoço com as estrelas", do Airton Rodrigues e Lolita, na TV Tupi. No tradicional "Baile das Personalidades", em Piracicaba, abrilhantamos shows de Pedrinho Mattar, Isaurinha Garcia, entre outros. Também acompanhamos Luiz Ayrão, Jorge Ben e Agnaldo Rayol. O Transa Som tinha repertório variado e agradava aos mais diferentes tipos de público. Alguns de nossos profissionais se caracterizavam de Maria Bethânia, Cauby Peixoto, Raul Seixas e Edit Piaf e davam um verdadeiro espetáculo.
Diário – O Transa Som encerrou as atividades depois de 26 anos, em 1998. Por quê?
Feis – Pelos mesmos motivos da orquestra, ou seja, as dificuldades com o ensaio. Meus filhos já estavam residindo em outras cidades, cada qual seguindo sua profissão, tornando-se inviável a continuidade do conjunto.
Diário – Como o senhor "administrava" calotes, brigas no salão, embriaguez e outros acontecimentos próprios de bailes?
Feis – Bom, é difícil você apontar uma banda que nunca tomou um calote ou qualquer prejuízo financeiro. Mesmo sabendo que o cano poderia acontecer, a gente, pelo respeito que sempre nutriu pelo público, nunca deixou de tocar. Antigamente os contratos eram informais, às vezes só na palavra. E o pagamento era feito após as apresentações. Com o tempo, tentava-se negociar com o caloteiro para que o prejuízo não fosse total. Hoje é tudo diferente. Ninguém canta e toca sem pagamento antecipado. Quanto a brigas, não tenho nenhum fato relevante pra contar. Em todas nossas apresentações, graças a Deus, prevaleceram a animação e o respeito do público.
Diário – Mas os músicos tomavam uns "gorós" pra manter o pique, né?
Feis – É evidente que sempre alguma coisa escapa. Mas eu era muito rígido, não admitia em hipótese alguma misturar bebida alcoólica com trabalho. Após os shows, tudo bem, o pessoal entrava no uísque e cerveja. Lembro-me de uma passagem por Três Lagoas (MS). O baile fervia e todo mundo queria saber como o Transa Som conseguia manter aquela energia por tantas horas. Até que uns diretores entraram no camarim e só viram água mineral. Ficaram boquiabertos.
Diário – O senhor alguma vez se decepcionou com a música?
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Diário de Marília entrevista Feis Feres - continuação
Diário – O que representa para o senhor a Tenda do Pai Thomaz?
Feis – Uma vida, já que ela está completando 48 anos. Trata-se de um comércio de imagens sagradas e complementos relacionados com a Umbanda, Quimbanda, Candomblé e outras seitas e religiões originárias de elementos afro-brasileiros. É um ramo que eu aprendi a gostar demais, pois a gente se comove com a fé e humildade das pessoas.
Diário – O senhor é considerado um ícone da música mariliense. Como a carreira começou?
Feis – Ainda muito jovem entrei para o conservatório musical com mais 10 amigos. Todos desistiram e continuei me aperfeiçoando no saxofone. Também fui cronner de orquestras, até formar o conjunto vocal Bambas do Ritmo, que consistia em cinco vozes e uma só melodia. Sinto muitas saudades. Em 1948, Oscarito, para mim o melhor comediante do Brasil, iria se apresentar em Marília no cine São Luiz e a comissão do evento nos convidou para fazer a abertura e o encerramento do show. Foi um sucesso, tanto que Oscarito nos chamou para o restante da sua turnê até o sul do país. E disse mais, que nos levaria para o Rio de Janeiro e nos "encaixaria" na Rádio Nacional, que era o auge na época. Mas, por falta de entendimento, acabou não dando certo e com a saída de dois percussionistas o conjunto acabou.
Diário – E o que veio depois?
Feis - Prossegui como cronner de algumas bandas até montar a minha, "Feis Féres e sua Orquestra", em 1957, composta por 18 músicos. A aceitação foi total. Eu comprava aqueles arranjos musicais em São Paulo, do Glen Miller, Benny Goodman e do famoso pistonista Harry James. Trazia as partituras e a orquestra ensaiava à exaustão, para que a música fluísse bem. O arranjo de Moonlight Serenade, por exemplo, era tão perfeito que, a pedidos, a música era tocada até três vezes em cada baile. O público delirava com a orquestra e não cessava com os aplausos. E isso aconteceu em muitas cidades brasileiras. Em Marília o coração bate mais forte quando me recordo do Clube dos Alfaiates. Foram tantas noites inesquecíveis que as lágrimas começam a brotar.
Diário – Foi com essa orquestra que o senhor estreou seu primeiro ônibus?
Feis – Rapaz, nem gosto de lembrar. Aquilo foi um desastre. Fomos para Londrina, estrada toda de terra, para um show no sábado. Só na ida dois pneus estouraram. O pior foi a volta. Mais dois pneus estourados e o ônibus quebrado. Quatro dias na estrada, sem tomar banho e passando necessidades. Só conseguimos chegar em Marília na quarta-feira. Então pensei: meu Deus, impossível acontecer mais alguma coisa. Não é que o motorista, ainda de madrugada, foi sozinho com o ônibus até Garça, pois ele morava lá, e acabou trombando? Aí não teve jeito, levei o ônibus para benzer...
Diário – Por que a orquestra acabou?
Feis – Tanto a orquestra como qualquer conjunto, se você não ensaiar bastante a coisa não vai. Havia músicos que moravam em Vera Cruz, Garça e outras cidades, e foi ficando cada vez mais difícil reuni-los. Você tem cinco saxofones, pistons e trombones. Se um elemento desfalca o grupo, já compromete a qualidade do som. Por isso, infelizmente, a orquestra terminou.
Diário – Como surgiu o Transa Som?
Feis – Em 1972, com a participação dos meus filhos Júnior e o Omar, que tinha pouco mais de 10 anos. A Ana Maria e o Mário, que tinha pouca idade, só vieram depois. A essência era minha família, mas ótimos profissionais integraram o grupo.
Diário – O senhor insistiu para que os filhos se tornassem músicos?
Feis – Não, sempre proporcionei o melhor estudo a eles porque sabia do futuro incerto que tem esse profissional. Mas em casa a gente respirava música. Eu sempre mantive muitos instrumentos no fundo do quintal. Quando as crianças chegavam da escola, cada uma pegava o seu e tudo era uma festa. Assim nasceu o Transa Som, numa época que Marília contava com cerca de 20 conjuntos.
Diário – Como foi a estréia do Transa Som fora de Marília? Leia mais
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Mario Feres canta O Bom Romance, de parceria com Guca Domenico.
Foi depois da morte do Mario Feres que vim a conhecer Guca Domenico, por correspondência. Ele me enviou duas músicas em parceria com o Mario e eu as publiquei no blog.
Vasculhando os meus arquivos me deparo com uma raridade: O Mario me mostrando O Bom Romance (Mario Feres e Guca Domenico) com ele ao piano, tocando e cantando no aniversário da Vânia Lucas, em 5 de outubro de 2008.
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Vania Lucas no Pedro II: “Um beijo pro Tom e um beijo pro Mario”
por José Márcio Castro Alves
O presente que o Ribeirão Shopping deu a Ribeirão Preto nos seu aniversário dos seus 30 anos não foi só a música de Antonio Carlos Jobim, mas o próprio Tom Jobim em pessoa, vivíssimo, real, palpável, deslumbrante. Coisa do destino.
Paulo Jobim, filho de Tom e o ilustre convidado do Ribeirão Shopping, logo após a sua primeira apresentação (Chora oração), fez questão de chamar e citar Vânia Lucas em pé de igualdade às grandes cantoras populares que gravaram a música de Tom Jobim. Altiva, forte, bonita e bastante descontraída, Vânia Lucas entrou no palco com personalidade, dando início à uma ótima apresentação. Cantou à frente de uma grande orquestra com naturalidade, leveza e simpatia. Sorveu merecidamente a apoteose desse grande sonho idealizado com o marido ainda em 2010, quando o saudoso Mario Feres nem sonhava que uma doença fatal o corroia na calada de uma fatalidade mais que trágica.
O show “Antonio Carlos Jobim, do violão à orquestra”, nos trouxe um Tom Jobim requintado e completo, do jeito que o Tom e o Mario gostavam e como deve ser feito, com sonoridade sinfônica e arranjos bem elaborados - A fina flor de uma música grandiosa e universal.
O maestro Reginaldo Nascimento, que roubou várias cenas com toques de informalidade e simpatia, abriu a noite com a célebre Garota de Ipanema, com arranjo de Eumir Deodato, outro gênio da raça. Foram muitas canções brotadas na batuta do maestro Reginaldo.
Vânia Lucas e Paulo Jobim deram um show à parte. Não apenas por cantarem as belas canções do Tom, mas pela própria presença no palco, relembrando candidamente os inúmeros shows que fizeram com o célebre trio Paulo Jobim, Mario Feres e Vânia Lucas ao longo de 14 anos.
Parabéns ao Ribeirão Shopping pelos seus 30 anos, parabéns à Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto pela grande performance, parabéns aos maestros Reginaldo Nascimento e Paulo Jobim, parabéns à cantora Vânia Lucas e a todos músicos e organizadores que nos fizeram mais felizes nesta noite memorável de 5 de maio de 2011 no Teatro Pedro II.
O Blog do Mario esteve presente, com o apoio de Ana Flora Siqueira ajudando a filmar o espetáculo.
Como bem disse a Vânia Lucas ao abrir o show, um beijo pro Tom e um beijo pro Mario.
José Márcio Castro Alves
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Mario Feres e Paulo Vieira, parceiros naturais.
por José Márcio Castro Alves
Era muito raro assistirmos a um show do Mario Feres em que o Paulo Vieira (Paulinho Briga) não estivesse ao seu lado. Foi a partir de 1996 que a parceria se firmaria, começando com algumas apresentações aqui e acolá até se concretizar de vez como músicos inseparáveis, tanto que o Mario fazia questão de falar nele até nas entrevistas, como a que ele deu à EPTV no programa Encontro, que abordou a cantora Vânia Lucas.
Testemunhei ao longo de 15 anos o Paulinho e o Mario tocando juntos onde quer que fosse, desde gravações importantes como nos bares da vida. Paulo Vieira e Mario Feres, profundos conhecedores do ritmo, da marcação correta e da levada na hora certa. O Mario fez uma música pra ele, de parceria com o amigo Sergio Ricardo, lendário personagem da Música Popular Brasileira. E o nome da canção não poderia ser outro: Deu Briga no Samba.
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Projeto Cultura em Canto prestou homenagem ao músico Mario Feres
O evento contou com a participação de seis corais.
27/04/2011
Uma grande homenagem ao músico Mário Feres foi prestada por seis corais nesta quarta-feira, às 20h, no Teatro Municipal de Ribeirão Preto. O projeto “Cultura em Canto”, reuniu profissionais de diversas áreas, com a participação dos corais “Casa do Contabilista”, “Vivace”, “BSGI”,” Lótus e Núcleo de Desenvolvimento para Orquestra”, “Coral da USP”, “Coral da Escola de Música Tomsete”, “Grupo Madrigal Revivis” e Coral Voz Ativa, da Assojuris. Ao final das apresentações, todos os corais cantaram numa só voz a música “Wave”, de Tom Jobim, em homenagem ao grande fã de Tom Jobim, Mario Feres.
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Mario Feres, Vania Lucas, Silvana Rangel e Paulo Vieira - Insensatez - 2007
Insensatez
Composição : Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes
A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
O seu amor
Um amor tão delicado
Ah, porque você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração que nunca amou
Não merece ser amado
Vai meu coração ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração pede perdão
Perdão apaixonado
Vai porque quem não
Pede perdão
Não é nunca perdoado
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Foi Saudade - Mario Feres e João Ferraz
Mario Feres e João Ferraz gravaram o disco Tudo Céu e Mar, um resgate das composições do pianista João Viviane. O disco também conta com várias composições de Mario Feres e João Ferraz, como Foi Saudade, a primeira faixa do disco Tudo Céu e Mar lançado em 2007.
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Mario Feres - Baião Barroco, de Juarez Moreira e Simone Guimarães
por José Márcio Castro Alves
Quando a Simone Guimarães pediu que eu a ajudasse a produzir o seu primeiro disco, Piracema – 1996, imediatamente chamei o Mario Feres que acabou cuidando da produção musical, tocando em várias faixas e também gravando o seu baião, Lambari.
Mario e Simone trabalharam juntos em 2004 na produção da trilha sonora Caminhos do Ouro, um especial da EPTV que retrata a trilha seguida pelo bandeirante Anhanguera.
Em 2008, no SESC de Ribeirão Preto, Mario Feres, Vânia Lucas e o violeiro Ivan Vilela apresentam o show Triverso. Uma das canções é o Baião Barroco, de Juarez Moreira e Simone Guimarães, gravado em vídeo por José Márcio Castro Alves.
Em 22 de junho de 2011, Vania Lucas e os amigos Andre Mehmari, Ricardo Matsuda e Ivan Vilela se encontram para homenagear o Mario, interpretando o Baião Barroco.
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Ricardo Matsuda - Até já. Carta pro Mario.
por José Márcio Castro Alves
Ricardo Matsuda e Mario Feres nasceram em Marilia. Amigos desde a infãncia, o Mario na bateria e o Ricardo na Guitarra, mocidade tudo azul. Fizeram inúmeros shows e discos, sempre amigos, ternos. Vania Lucas me enviou um e-mail com uma música do Ricardo Matsuda.
--- Zé. Acabei de ouvir essa música que o Matsuda fez para o Mário. Você coloca no blog também?
Até já - Carta pro Mário
Ricardo Matsuda
Ricardo Matsuda
Espanto, ao vê-lo partir.
Outrora nos ensinava a sorrir
para coisas como a dor e a paixão,
música, uma canção.
Coragem de se desprender
das coisas que fazem homem sofrer.
Agora, retornou ao Céu, assim,
Feito anjo, Querubim.
Voa livre e leve assim,
Voa feito Passarim.
Vânia, Lu e Tomazim.
Todos nós te amamos.
Antes, bem agora
e não tem fim.
Histórias tantas temos pra lembrar.
Memórias vão revê-lo em seu cantar.
Aquilo que plantaste germinou.
Agradeço ao Teu Senhor.
Amigos, tantos, tantos conquistou,
brincando ou falando sério, amou.
Caminho por onde passou sorriu
no seu samba, Mãe Gentil.
Em 22 de junho de 2011 é apresentado o show "Um abraço pro Mario Feres", onde Vanis Lucas, Andre Mehmari, Ricardo Matsuda e Ivan Vilela homenageiam o amigo. Ricardo apresentou "Até já", uma carta ao Mario.
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Mario Feres e Guca Domenico: O Bom Romance.
Conheci o Mario através do meu parceiro Paulo Estevão, o primeiro guitarrista do Língua de Trapo. Eu estava começando a gravar meu primeiro disco solo, 1990. Tinha um projeto de retomar o trabalho com Paulo, nos falamos ao telefone e ele disse que viria para São Paulo com um amigo de Marília. Era o Mario. Perguntei que instrumento o tal amigo tocava e Paulo falou: --- Todos - e bem!
Ele chegou tímido, com ares de fã, conhecia minhas músicas, cantou algumas. Logo estabelecemos amizade e a relação mudou. Nada de fã, vamos ser amigos - pedi.
O projeto do disco a três não vingou porque Paulo sofreu um acidente e cortou gravemente a mão. Havíamos gravado três músicas, eu no violão, Mario no baixo e Paulo na guitarra. Prossegui o disco sozinho totalmente despojado, violão e voz. A única música que tinha instrumento elétrico foi "Vovô na janela": Mario tocando baixo.
Nessas idas e vindas para São Paulo, fizemos duas parcerias, letras minhas, músicas do Mario. Uma delas chama-se "Enciclopédia", a outra não me lembro o nome. Estão gravadas numa fita K-7 (faz tempo, né?). Quando nos reencontramos, muitos anos depois, num sarau na Casa das Rosas, falei pro Mario que tínhamos essas músicas. Ele não lembrava e fiquei de levar a fita para ele recordar. Tinha uma harmonia meio torta. Depois do sarau fomos para uma pizzaria e ele me pediu para mandar uma letra.
Escrevi "O bom romance". Mario fez uma melodia maravilhosa. Lembro que comentei que precisamos juntar nós dois para virar meio Jobim. A música é realmente um primor e foi incluída no show que ele e Vânia faziam. Ouvi duas vezes, no Sesc Ribeirão Preto e no Sesc Ipiranga. Uma grande alegria.
Mario Feres e Guca Domenico participaram do Sarau da Chama Poética, no Museu da Língua Portuguesa, em dezembro de 2008, em homenagem a Noel Rosa.
Nossa participação foi distinta. Eu de violão e voz, Mario e Vânia. No final, cantamos juntos "As pastorinhas", de Noel e Braguinha.
Nossa última parceria chama-se "Perfume de pensamento".
--- Você está escrevendo em alto nível, comentou o Mario ao receber a letra. --- Estou me contorcendo para musicar. O resultado foi, mais uma vez, maravilhoso.
Muito zeloso, Mario criou uma melodia incrível, mais uma vez Jobiniana, e achou um caminho melódico que não encaixou totalmente a letra. Ligou, do Rio, pedindo autorização para acrescentar algumas palavras, com respeito e sem querer ferir minha vaidade. Disse que ele tinha toda liberdade e não se intimidasse. Foram três ou quatro palavras, nada que alterasse abruptamente. Suave, como se diz. Ficou indescritivelmente linda.
No meio de dezembro de 2010 estive no Rio e fui visitá-lo. Temperatura alta. Mario me recebeu sem camisa, ventilador a toda.
--- Parceiro, fiz uma gravaçãozinha. Vê se tá bom - ele sugeriu.
Estava, claro.
Só havia um senão e era culpa minha. No refrão da música, escrevi "sua dor é casa íntima/nada de visitinha".
Aquele calor carioca, minha língua de trapo não aguentou e mandei:
---É, Mario. Maior suador... Brinquei com o cacófato que minha letra produziu.
--- Nossa! É mesmo... Mario se tocou.
A partir dali não dava mais para ouvir sem lembrar disso.
Eu refiz a letra, troquei o você por tu e ele ficou de arrumar, gravar "tua dor".
Fizemos uma grife, só músicas lindas. Culpa do Mario, meu parceirinho querido, aquele menino que veio de Marília para me conhecer há muito tempo atrás.
Perfume de pensamento
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Jose Marcio Castro Alves
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Guca Domenico: Conheci o mario Feres em 1990.
Conheci o Mario através do meu parceiro Paulo Estevão, o primeiro guitarrista do Língua de Trapo. Eu estava começando a gravar meu primeiro disco solo, 1990. Tinha um projeto de retomar o trabalho com Paulo, nos falamos ao telefone e ele disse que viria para São Paulo com um amigo de Marília. Era o Mario. Perguntei que instrumento o tal amigo tocava e Paulo falou: --- Todos - e bem!Ele chegou tímido, com ares de fã, conhecia minhas músicas, cantou algumas. Logo estabelecemos amizade e a relação mudou. Nada de fã, vamos ser amigos - pedi.
O projeto do disco a três não vingou porque Paulo sofreu um acidente e cortou gravemente a mão. Havíamos gravado três músicas, eu no violão, Mario no baixo e Paulo na guitarra. Prossegui o disco sozinho totalmente despojado, violão e voz. A única música que tinha instrumento elétrico foi "Vovô na janela": Mario tocando baixo.
Nessas idas e vindas para São Paulo, fizemos duas parcerias, letras minhas, músicas do Mario. Uma delas chama-se "Enciclopédia", a outra não me lembro o nome. Estão gravadas numa fita K-7 (faz tempo, né?).
Quando nos reencontramos, muitos anos depois, num sarau na Casa das Rosas, falei pro Mario que tínhamos essas músicas. Ele não lembrava e fiquei de levar a fita para ele recordar. Tinha uma harmonia meio torta. Depois do sarau fomos para uma pizzaria e ele me pediu para mandar uma letra.
Escrevi "O bom romance". Mario fez uma melodia maravilhosa. Lembro que comentei que precisamos juntar nós dois para virar meio Jobim. A música é realmente um primor e foi incluída no show que ele e Vânia faziam. Ouvi duas vezes, no Sesc Ribeirão Preto e no Sesc Ipiranga. Uma grande alegria.
Também participamos juntos do Sarau da Chama Poética, no Museu da Língua Portuguesa, em dezembro de 2008, em homenagem a Noel Rosa. Nossa participação foi distinta. Eu de violão e voz, Mario e Vânia. No final, cantamos juntos "As pastorinhas", de Noel e Braguinha.
Nossa última parceria chama-se "Perfume de pensamento".
--- Você está escrevendo em alto nível, comentou o Mario ao receber a letra. --- Estou me contorcendo para musicar.
O resultado foi, mais uma vez, maravilhoso.
Muito zeloso, Mario criou uma melodia incrível, mais uma vez Jobiniana, e achou um caminho melódico que não encaixou totalmente a letra. Ligou, do Rio, pedindo autorização para acrescentar algumas palavras, com respeito e sem querer ferir minha vaidade. Disse que ele tinha toda liberdade e não se intimidasse. Foram três ou quatro palavras, nada que alterasse abruptamente. Suave, como se diz. Ficou indescritivelmente linda.
No meio de dezembro de 2010 estive no Rio e fui visitá-lo. Temperatura alta. Mario me recebeu sem camisa, ventilador a toda.
--- Parceiro, fiz uma gravaçãozinha. Vê se tá bom - ele sugeriu.
Estava, claro.
Só havia um senão e era culpa minha. No refrão da música, escrevi "sua dor é casa íntima/nada de visitinha".
Aquele calor carioca, minha língua de trapo não aguentou e mandei:
---É, Mario. Maior suador... Brinquei com o cacófato que minha letra produziu.
--- Nossa! É mesmo... Mario se tocou.
A partir dali não dava mais para ouvir sem lembrar disso.
Eu refiz a letra, troquei o você por tu e ele ficou de arrumar, gravar "tua dor".
Fizemos uma grife, só músicas lindas. Culpa do Mario, meu parceirinho querido, aquele menino que veio de Marília para me conhecer há muito tempo atrás.
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Mario Feres escreve sobre a Waldorf e o professor Bruno Andrade
Uau!!! momentos mágicos como a festa geram momentos de reflexão, retrospecção e também de "elogiação", "rasgação de seda", aliás, merecidíssimas!!!Somos de fato muito felizes por nossa família ter encontrado através do Thomaz essa turma de alunos especialmente escolhidos pela manipulação do universo.
Tal surpresa só poderia ser completa se encontrássemos um líder à altura de tal empreendimento. O destino quis que tivéssemos dois. Primeiro uma queridíssima, que na verdade estava encerrando suas atividades dessa encarnação. Ela nos apontou outro queridíssimo, o competente e tão amigo Bruno.
Você Bruno, além de despertar a curiosidade (o maior combustível para o aprendizado) e a sede de vários saberes em nossos filhos, despertou também outros sentimentos e interesses: a paz interna e o amor são os mais facilmente perceptíveis de antemão.Quando um aluno está em paz com sua classe, seu professor e sua escola, todas as outras portas, a do saber, a do "se relacionar" e a do "encarar o mundo" ficam abertas. É isso que sentimos da nossa sala!
Bruno, você é como o Fernando. Mestre, líder e mais gostoso, um grande amigo dos alunos e dos pais também. Isso é uma delícia!!!
Viva a nossa força de atuação e organização!Viva o 8º ano!
Viva o nosso Teatro!
Viva o querido Bruno e sua família linda!
Viva todos nós e essa união gostosa!
Viva a Escola João Guimarães Rosa!
Viva essa amizade e a certeza de que o mundo tem jeito SIM, vendo nossas crianças se desenvolverem. Sabemos que isso é possível!
Beijos a todos
Mário, Vania, Luíza e Thomaz.
15 de Outubro de 2010
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Henrique Alves escreve sobre a morte do Mario Feres.
Henrique Alves é um amigo do Rio de Janeiro que acompanhou todo o processo da doença do Mario Feres através dos meus e-mails. Não conheceu o Mario. Hoje, 12 de Abril de 2011 ele escreveu: Algumas dores vão doer para toda a vida. Essas dores insistem em machucar a despeito da passagem do tempo ou das sublimações que tentamos nos impor. Elas não de deixam elaborar ou tratar. Elas nos falam de um tempo que não voltará ou de um futuro que não terá lugar em nossas vidas. Mas sabe, caro amigo, essas dores também nos falam de coisas bonitas e lindas que vivemos. Sente mais dor quem mais amou e se entregou. Quem mais deu atenção e cuidou. Não há como ser diferente. Quando escolhemos amar, inconsciente ou conscientemente também escolhemos sofrer. Sim, porque amar é sofrer. Sofremos quando nos separamos e perdemos. Sofremos perdas antecipadas ou acontecidas. Sofremos dores do existir e do não existir. Sofremos as saudades que vem morar conosco e nos acordar toda manhã. Mas esse sofrimento atesta uma intensa experiência de riqueza relacional e amorosa. Os brutos não sofrem porque se recusam a se entregar. Não experimentam as doces aventuras das relações livres de peias e amarras dos maus humores e resistências emocionais. Quando nos entregamos a um relacionamento desarmado nos arriscamos a sentir as dores do mundo. Quando nossos amigos partem deixam uma imprenchível saudade e um rico fundo de lembranças que nos fazem chorar a ausência. Mas essas saudades e dores nos tornam mais ricos, mais humanos e mais sensíveis. Nos fazem lembrar do quanto amamos, do quanto nos entregamos e do quanto recebemos. E assim, mais ricos e mais sofredores, somos desafiados a construir novos relacionamentos e a cuidar dos que ficaram e dependem de nosso amor, carinho e atenção. Me solidarizo com você e sua dor. Junto minhas dores às suas, minhas perdas às suas, minhas lembranças às suas. Aceite meu afetuoso abraço e minhas orações, querido Zé Márcio. Henrique Alves
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Jose Marcio Castro Alves
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Diário de Marília - Mário Feres (1967 - 2011) deixa legado musical
Diário de Marília
06/04/2011 07:00:10
Ele compôs trilhas para documentários de TV, espetáculos teatrais e dança
Compositor, pianista, arranjador, produtor e violonista autodidata, o mariliense Mário Feres, 43, faleceu dia 1º de abril, em Ribeirão Preto, vítima de câncer no fígado. Casado com a cantora Vânia Lucas, com quem tinha dois filhos, Tomas, 14 e Luiza, 24, trabalhou com grandes nomes da MPB, como Paulo Jobim e Jaques Morelenbaum, com este último fez sua última turnê na Europa em 2009.
Mário Feres herdou do pai Feis Feres e dos irmãos o gosto pela música. Ingressou na arte musical aos 12 anos de idade e em 1979 já atuava como profissional. Formado em Odontologia, foi para Ribeirão Preto em 1993, onde se encontrou de vez com a música, sua grande paixão, além dos filhos.
A cantora e esposa Vânia Lucas falou da fase atual de Mário Feres, “ele estava se firmando muito como compositor” e lançaria um CD com composições próprias neste ano. Também deixou trilhas para ballet e Vânia pretende continuar seus projetos, com apoio dos amigos.
Deixou ainda trabalho iniciado como arranjador, tinha muitas encomendas para este ano, tanto que no dia 5 de maio, já estava agendado e vai acontecer apresentação no Teatro Pedro II, em Ribeirão com a participação de Paulo Jobim, Vânia e Sinfônica de Ribeirão. Ele será homenageado com dois arranjos.
Ele sempre manteve o Duo Mário Feres e Vânia Lucas e participações com quartetos e quintetos. Foi arranjador e pianista do Coral Voz Ativa, da Associação do Fórum de Ribeirão. Excursionou pela Europa e em 2010 atuou mais diretamente no Rio de Janeiro, entre os trabalhos musicais como “Romance Barato”, dirigido por Denise Bandeira.
O CD mais recente é “Trinca de Reis”, lançado pela Tratore com os sambistas Edu Velocci, Heraldo Faria e Flavinho Machado. De Vânia Lucas a última produção foi o CD “Minha Vontade”.
“O Mário deixa os filhos, o amor, a carreira. A música foi a coisa a que ele mais se dedicou nesta vida. Os amigos que ele cultivava estão ajudando muito, trazem as imagens de todas estas vivências. Ele foi meu amigo, companheiro, amante, temos muitas coisas vivas, por muito tempo. Foi meu piadista preferido”, comentou Vânia Lucas.
Homenagens surpreenderam família
O corpo de Mário Feres foi velado na Escola Waldorf, em Ribeirão Preto, na mesma sala em que ele dava aula. A irmã Ana Feres conta que cada aluno que chegava executava uma canção, seja ao piano, violão, ou qualquer manifestação artística para reverenciar o “professor”.
Mário Feres descobriu o câncer no fígado dia 22 de dezembro de 2010 e aí começou sua luta pela vida. Dia 30 deste mês de abril completaria 44 anos. Em novembro do ano passado esteve em Marília com Vânia Lucas apresentando o espetáculo “O Tom da Paixão”, um tributo a Tom Jobim.
A irmã fala de uma pessoa talentosa, “feliz, alegre, de bem com a vida, muito naturalista e zen”. O músico deixou além da esposa, filhos e do pai Feis Feres, irmãos, oito sobrinhos e uma sobrinha neta.
Diário de Marília
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Jose Marcio Castro Alves
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Mario Feres em Paris. O músico Rubinho Antunes relata o encontro.

Em 6 de Abril de 2011 eu recebi um e-mail do Ribinho Antunes com essa foto anexada: Mario Feres, Simone Guimarães e ele. Segue o texto na íntegra de um músico de Santa Rosa de Viterbo que conheceu o Mario Feres casualmente, num intercâmbio cultural entre o Brasil e a França ocorrido em 2004.
Meu nome é Rubinho Antunes. Sou amigo do Mario. Já toquei com ele varias vezes em Ribeirão e fizemos juntos um trabalho em Paris com a Simone Guimarães, no ano do Brasil na França. Tenho essa foto em que estamos no camarim e fica ai o registro.
Esse trabalho que fizemos em Paris foi uma continuação de uma série de Shows que fizemos com a Simone no projeto Pixinguinha, em 2004. Algumas caravanas do Pixinguinha Foram pra Paris por ocasião do Ano do Brasil na França. E foi muito legal. Conheci o Mario pessoalmente na verdade nesse trabalho, em 2004. Lembro dele chegando pro ensaio atrasado, ainda com o fone de ouvido de avião em volta do pescoço e pensei comigo: " Que cara maluco!!!"
Mas depois do 3º acorde fui ficando cada vez mais encantado com a musicalidade desse cabra.Então fomos pra Turné, Norte e centro Oeste. Foram 8 shows em 16 dias. Correria. E uma coisa que eu não me esqueço era a quantidade de piadas que se contava entre os músicos. O Mario e o baterista do Grupo, o Limão, de BH, lideravam as seções. E não repetiram nenhuma piada em 16 dias!!!
Eu dividia quarto com o Mario e me lembro dele já na primeira noite, em Brasília, eu dormindo e ele assistindo um programa de TV, de comédia, achando muita graça, e eu querendo dormir. Mas acho que ele não se conformava de eu não querer assistir o programa e ficava me acordando pra eu rir do programa.
Outra coisa marcante era o fato de ele, mesmo nos não sendo amigos de longa data, apesar que nem sendo amigo de longa data da pra fazer isso, ia no banheiro e ficava de porta aberta pra ficar conversando comigo, e eu falava: "Fecha a porta". Que cena grotesca. Aquele ArMario prognata sentado ao trono com a porta aberta e do meu lado!!! hahahah. O Mario era demais.
Tem uma ótima também. Isso foi bem antes, por volta de 96. Eu começando a estudar pra me tornar profissional, estava no ensaio da banda de Santa Rosa e aparece o Mario no ensaio pra ver como funcionava o esquema la, por que ele ia formar uma banda parecida, não sei se em Batatais ou Brodowsk.E eu já conhecia a fama dele; por causa do primeiro disco da Simone. E falei pro meu pai " Tem um cara de Ribeirão aqui na cidade, vamos correr atrás dele pois eu quero fazer aula de harmonia com ele!" Meu pai pegou o carro em disparada e corremos atrás do Mario. Alguém tava dirigindo pra ele uma Parati Branca, se não me engano. Meu Pai emparelhou o carro com o dele e falou:
--- Meu filho quer fazer aula com você.
Mas ele não deu muita bola e acabou não acontecendo. Só que mais tarde eu ficava jogando na cara dele que ele não quis me dar aulas, que eu poderia ter virado um super compositor por ter sido aluno dele, mas ele havia me Ignorado, de brincadeira, claro. E ele dizia " Não Rubicaozinho (ele me chamava assim), eu não lembro disso, não era eu”.
Também toquei algumas vezes com o Mario no Cipreste, com a big band. Vinha de São Paulo pelo prazer de tocar com ele. Às vezes ele encaixava alguma gravação pra melhorar a grana, mas vim varias vezes pelo prazer de tocar com ele. Marcelão, Briga, Wanderley, Duda, toda essa galera de Ribeirão, a maioria eu conheci através do Mario e do Marcelo. E a noite não tinha fim. Acabava o show eu ia dormir na casa dele. Ficávamos conversando ate de manhã.A primeira vez que fui na casa nova ele ficou me mostrando o cano que vinha da sala de TV em cima pra sala debaixo. As 4 da manhã, a Vania dormindo e ele fazendo a maior festa! Figura pra caramba!!!
To escrevendo isso tudo aqui e pra mim é como se nada tivesse acontecido pois não acompanhei de perto o processo da doença, só por noticias através do Marcelo. Então pra mim é como se ele estivesse por aqui.
Sentiremos todos muito sua falta e acho que essa idéia do Blog é super legal para conhecermos mais historias do Mario. E como deve ter historia por ai.
Um grande abraço
Rubinho
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Jose Marcio Castro Alves
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Ana Flora: Carta aberta ao Mario Feres.
por Ana Flora Siqueira GesteiraMário... A primeira vez que o vi tocar foi em 1995, num show aqui em Ribeirão com o Paulo Jobim. Fiquei encantada. Eu, que era fã do Tom Jobim desde muito pequenina, tive o privilégio de ouvir, através de seus acordes ao piano, meu ídolo. A partir daí, tornei-me também sua fã. Depois, ao reencontrar um grande amigo comum, o Zé Marcio, em abril de 2010, fui me sentindo mais próxima a você. Ouvia relatos sobre momentos vividos entre vocês, piadas, muitas risadas, suas viagens e trabalhos realizados. Também ouvi muito sobre sua generosidade, amizade, afetos.
A partir de janeiro de 2011 recebia os boletins escritos pelo Zé sobre a sua batalha, sua força e coragem diante do inesperado. Acompanhei cada fase de sua recuperação, na esperança e torcida que muito breve poderia me encontrar pessoalmente com você.
Infelizmente não foi possível. Carrego comigo a dor do tempo que não tive. Porém, o sentimento não muda: Sou sua fã!
Saudações atemporais
Ana Flora Siqueira Gesteira
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Jose Marcio Castro Alves
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De Clarice Nicioli para o Mario feres

por Clarice Nicioli
Hoje o nosso amigo Mario Feres partiu. O mundo ficou mais triste hoje. Não mais teremos a sua luz nos iluminando, sua risada nos contagiando e sua música nos emocionando. Como um excelente piadista que era, escolheu partir no dia da mentira, 01/04/11. Os verdadeiros contadores de causos até na hora da morte brincam.
Imagino a cena: Mario, ainda surpreso, subindo o elevador para o céu. No andar de cima, o ambiente nunca fora tão animado: Tina e Seu Tônio conversam em um canto, tomando a clássica cervejinha celestial. Tom Jobim passa para Dom Chagal as últimas convenções da música de boas vindas, Luiza Puppo organiza os últimos retoques e preparativos antes da chegada do debutante.
Quando este chega, depois de contar a piada dos óis de capivara ao rapazinho do elevador, a festa já está pronta. Todos recebem o querido amigo, lhe apresentam seu novo lar e pedem notícias do mundo terrestre. Garantem para Mario que protegerão com muito amor e carinho
Vania, Luiza e o pequeno Tomaz, e dizem para seus amigos não ficarem tristes nem enciumados, pois o motivo da sua partida fora de fato muito importante. É que o ambiente celestial estava tão triste e deprimente com tanta guerra, terremoto, tsunami, Kadafi, miséria e pobreza, que Deus não aguentou e mandou chamar um tal de Mario Feres, conhecido por ser uma das pessoas com maior jogo de cintura contra o baixo astral hoje em dia, na Terra.
É... nós que ficamos agora vamos ter que dividir a luz e a felicidade que emanava dele com o pessoal lá de cima. Vai ser difícil, mas teremos que aguentar e continuar tocando e cantando a vida sem ele. Uma das primeiras coisas que me ocorreu foi: como vou conseguir cantar Bebel sem o Mario?
Pensando bem, isso não vai acontecer, pois lá em cima, nos já tradicionais saraus divinos, ele, Tom, Vinicius e o resto da trupe estarão nos acompanhando atentamente, e se fecharmos bem os olhos e nos concentarmos, quem sabe até conseguiremos ouvir os novos acordes e arranjos vocais que eles bolaram, e que estão ansiosos para nos mostrar.
Vá em paz, querido amigo, e divirta-se!
Clarice Nicioli
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Jose Marcio Castro Alves
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